Esses dias eu estava conversando com a minha namorada e percebi o quanto sou inconstante nas coisas que faço, em praticamente tudo. E comecei a pensar sobre isso. Tem o lado bom: estou sempre vendo, pensando, dizendo ou escrevendo algo diferente, porque nada é igual ao que foi antes. Mas o lado ruim é que nada fica completo, e essa falta de fechamento mexe com a ansiedade. Às vezes, é difícil lidar.
Mas aí comecei a perceber também as constâncias que existem na minha vida. Pequenas coisas da rotina, como sempre arrumar a cama e tomar banho antes de fazer qualquer coisa. Ou o hábito de lavar as mãos primeiro só com água e depois com sabão. Ou usar sempre o mesmo caderno pra escrever. Mas, pensando bem, a constância mais real que encontrei é a saudade, a saudade que eu sinto em tudo que faço sozinho.
Eu e a Camila nos vemos todos os dias. Trabalhamos juntos, almoçamos juntos, voltamos juntos pra casa. E isso é bom demais. Mas agora, toda vez que faço algo sozinho, lembro dela. No café da manhã, quando assisto um filme e não ouço a risada dela. Quando leio algo e não tenho com quem comentar. Nas viagens de trabalho (mesmo nos lugares mais escondidos de São Paulo) sinto falta de ter ela ali pra rir comigo das coisas esquisitas que vejo.
Pensar nisso me faz feliz, porque percebo que encontrei alguém com quem gosto de dividir absolutamente tudo.
E talvez seja isso que eu precise aprender com essa relação: buscar constâncias que me façam bem. Que sejam leves como estar com ela. Que fiquem na cabeça e no peito mesmo quando o resto muda. Porque no fim, talvez a verdadeira constância seja essa, a de se sentir inteiro, mesmo no meio da inconstância.