Eu tenho um relógio Orient, automático, dos anos 80. Era do meu avô e antes dele falecer, ele me deu. Sempre achei muito interessante esse aspecto do relógio automático e da necessidade dele estar sempre no pulso e em movimento, porque se ele não está em movimento, ele para.
Como eu uso esse relógio ha uns 4 anos, e pelo fato de eu ser um pouco desastrado, o relógio apresentou alguns defeitos algumas vezes, como o ponteiro das horas ficar frouxo ou o ponteiro dos minutos. E mesmo assim, eu continuava utilizando o relógio, por estética e por memória. Mas, eu percebia uma coisa, toda vez que eu olhava para o relógio no meu pulso e via que ele estava “quebrado” me dava uma sensação estranha, de que eu realmente precisava arrumar aquilo.
Mas, por muitas vezes eu vivia igual o meu relógio, no “automático”, e procrastinava o conserto dele. Até que um dia, eu fui e arrumei ele pela primeira vez. A sensação que eu tive após o conserto dele foi “Agora ele voltou a ser útil”, um sentimento de recomeço para algo que eu mantinha inútil.
Tempos depois, aconteceu dele soltar uma peça que era mais visível e isso me incomodou muito. E no dia seguinte fui em um lugar arrumar e novamente tive a mesma situação, só que muito mais intensa e eu me fez enxergar essa pequena “sindrome”
Não se trata apenas de relógios e coisas matérias que se quebram e nós deixamos que elas continuem quebradas, mas, sim, de sonhos, sentimentos, relações que estão quebradas internamente em nós. Muitas vezes mantemos assim porque é confortável, estamos acostumados com sonhos quebrados e largados, relacionamentos com conflitos que não queremos enfrentar, mas, quando damos um passo para resolver o que precisa ser resolvido, entendemos porque essas coisas não podem permanecer quebradas em nossas vidas.
Então, arrume o seu relogio e viva o que precisa ser vivido
Uma resposta para “A síndrome do relógio quebrado”
Gosto de pessoas que têm o olhar atento para as sutilezas e afetividades da vida. É incrível como uma herança tão simbólica nos coloca pra pensar nos cuidados que temos (ou que teríamos que ter) com aquilo que nos é importante, a começar, por nós mesmos. 🙂
Bonito o seu texto. 🙂
Um beijo carinhoso,
Fê
CurtirCurtir