Sempre fui uma pessoa que precisava de pausas, quando criança entre uma brincadeira em outra apenas pra beber uma água e olhar para o céu azul com aquelas nuvens bem espaçadas, o silêncio da tarde e a brisa suave. Na escola, entre uma aula e outra, aquela ida longa ao banheiro que virava quase um tour pelo colégio, só pra matar o tempo daquela aula que consumia a mente. No primeiro trabalho, na vida das entregas de office boy poder sentar numa praça e respirar um pouco antes de voltar para o escritório. Mas, eu nunca tinha nomeado esses pequenos respiros.
Em um dos trabalhos, meu amigo Bruno, nomeou aquilo que eu sempre fazia de forma inconsciente. Ele virava pra mim e dizia: “5 minutos sem fazer nada?” Eu pegava um café e ele o cigarro e íamos para o fumódromo. Trabalhei com ele em 2 lugares, confesso que o melhor desses momentos era na empresa que ficava na cobertura de um prédio, mas o costume sempre permaneceu e ai sim eu percebi que aquela tradição eu já tinha em mim. Os ventos mudaram e eu acabei trocando de emprego, só que sem colegas fumantes e que não apreciam essa bela arte.
No começo, por conta de estar num lugar novo, acabei me afastando dessa tradição que me acompanhava, mas, existem coisas que são mais fortes do que as situações e por fim, voltei a cultivar essa arte, com um sentimento de refrigério e de que, agora sim, as coisas voltaram ao seu eixo natural, mesmo vivendo uma realidade muito maluca.
Pegar um copo de café coado, bem escuro e amargo, onde eu inevitavelmente vou precisar colocar açúcar, ir até o fumódromo e ficar olhando pro absoluto nada por um tempo até o café acabar ou esfriar, enquanto a mente vai se organizando, colocando ordem nas tarefas e por fim, depois do 3 gole de café, ela desliga e eu só aproveito o momento de estar ali.
Acredito que essa arte faz com que eu me sinta mais vivo, pelo menos naquele instante, onde o que importa é o café e o horizonte, onde posso fazer criticas ou dar risadas com quem for me acompanhar, sem o preso de estar tendo uma conversa oficial com uma grande importância.
Em meio ao caos de se trabalhar com criatividade precisamos criar algum tipo de “rito” pra sobreviver as grandes demandas que temos que cumprir, aquela necessidade de ser cada vez mais criativo do que a ultima, e muitas vezes, não da pra alcançar.
Ficar apenas numa sala branca, olhando para o computador e vendo concreto pelas janelas só diminuem ainda mais a sensação de que a vida ta acontecendo e que, é necessário perder 5 minutos para ganhar a sensação de que a vida é muito mais do que um trabalho, uma agenda e caos.