Sábado, 2h30 da manhã. Estou dirigindo de volta para casa, e um pensamento me persegue desde o começo da noite: “Estou perdendo momentos importantes da vida de pessoas que amo por estar longe.”
Acredito que as redes sociais, ao mesmo tempo que aproximam quem está distante, também escancaram o quanto estamos afastados. Foi esse sentimento que me prendeu. Vi um amigo de infância comemorando mais um aniversário, e eu não faço mais parte da vida dele. Vi meu irmão fazendo trabalhos incríveis, e eu não estava nem perto. Amigos noivando, outros já tendo o terceiro filho — e eu vendo tudo de longe.
Mas, olhando com mais calma, percebi que talvez seja melhor assim.
Por muitos meses, tentei conciliar tudo. Ficava voltando para o que já não era mais, todo final de semana, mas continuava distante, mesmo estando perto.
Hoje eu entendo que a vida é assim. Para mudar de verdade, a gente precisa deixar quase tudo para trás. E boas coisas novas vão aparecer também.
Em meio a essas reflexões, só conseguia lembrar da frase de Cinema Paradiso:
“No cedas a la nostalgia.” Não posso ceder à nostalgia do que já foi — mas sim, seguir em frente na realidade que vivo hoje, que é maravilhosa, apesar dos apesares.
Olhar para trás nunca é uma boa opção. Aquilo que tem que permanecer, vai permanecer. O que precisa aparecer, vai aparecer. Não é fácil deixar o que já foi parte de quem a gente é. Mas seguir em frente também é um jeito de honrar tudo isso. E no fim, a vida sempre recompensa quem tem coragem de continuar.