Desde que comecei a trabalhar, percebi que não queria uma carreira presa a um escritório. Como minha mãe diz: “quando você sabe o que não quer, é mais fácil descobrir o que quer”. E foi seguindo isso que escolhi a faculdade que eu queria, me encontrei no audiovisual e confirmei o que sempre soube: eu amo histórias, seja ouvir ou contar.
O que eu não esperava era me ver no meio da febre dos vídeos curtos. Sempre fui contra. (Na real, sempre fui do contra.) Até não gostava de vídeo há alguns anos. E, ironicamente, hoje trabalho exatamente com eles. A vida tem dessas.
No começo, achei que bastava registrar e postar rápido. Mas percebi que não é assim. É preciso criar e recriar o tempo todo, buscar o diferente, humanizar, dar autenticidade. Só que aí vem a contradição: essa “autenticidade” das redes muitas vezes é performance. Histórias, interações, emoções, nada é real. Tudo é encenado.
E me peguei pensando: quantas histórias verdadeiras se perdem nisso? Histórias simples, do cotidiano, que não rendem likes, mas carregam um peso real. Essas são as que valem a pena.
E o formato não importa, vídeo longo ou curto, áudio, foto ou carta. O que importa é criar de verdade. Não para o algoritmo, não para parecer autêntico. Mas para contar uma boa história que, mesmo sem filtros, merece ser ouvida.