Hoje o dia amanheceu cinzento. Não de uma forma triste, apenas nublado e sem sol. Nas últimas semanas, a primavera vinha iluminando minha mini casa logo cedo, mas hoje não havia nascer do sol às 6h. Foi difícil levantar com aquele tom escuro de manhã nublada, sem galo cantando, sem passarinhos na rua. Acordei devagar, deixando a mente vagar entre reels e um café simples, com um peso no peito: eu preciso fazer alguma coisa.
Saí de casa cedo, mais cedo do que gostaria. Na viagem até o trabalho, deixei as músicas preencherem o silêncio. Quando finalmente sentei na minha mesa, veio a pergunta: o que realmente tem me motivado a levantar da cama todos os dias?
O trabalho anda pesado. Não só físico e criativo, mas mental. Como se eu estivesse preso num looping. Viajo o estado, faço coisas diferentes, mas ainda parece o mito de Sísifo, empurrando a pedra todos os dias. Não que meu trabalho seja ruim, mas muitas vezes faço coisas que sei fazer bem, só que não gosto realmente. E isso dói.
E foi nesse turbilhão que comecei a escrever. Talvez para não esquecer dos meus sonhos, que parecem ter se afundado no travesseiro. Ouvir o som das teclas enquanto escrevo me lembra do quanto eu gosto de estar nesse fluxo, seja na escrita, na música ou em qualquer forma de arte. Tenho lido livros, visto cursos, assistido a vídeos que me mostram o caminho que quero seguir. Mas cabe só a mim acordar desse transe e realmente buscar.
Já faz tempo que estou parado. Se esse texto aparecer na sua jornada pela internet, que ele te sirva de lembrete também: desperte seus sonhos antes que eles se afundem para sempre.